2021.02.04 | Lógica |

Inconsistência entre perfeição moral e omnipotência

Críticos da conceção teísta de Deus por vezes argumentam que a perfeição moral é incompatível com a omnipotência. Isto porque se Deus é omnipotente, então ele deve ser capaz de fazer mal, ao passo que se Deus é moralmente perfeito necessariamente, ele não pode fazer mal. Este raciocínio foi bem desenvolvido por Wes Morriston no artigo “Omnipotence and necessary moral perfection: are they compatible?” (de 2001). O argumento de Morriston pode ser formulado desta forma: Considere-se alguns estados de coisas particularmente maus e completamente injustificados, \(E\), tal como todo o ser senciente sofre dores agonizantes durante toda a sua vida. Assim:

  1. Se Deus é moralmente perfeito necessariamente, então não há mundo possível em que Ele atualiza \(E\).
  2. Se Deus é omnipotente, Ele tem o poder de atualizar \(E\).
  3. Se Deus tem o poder de atualizar \(E\), então há um mundo possível em que Ele atualiza \(E\).
  4. Logo, não é verdade que Deus é moralmente perfeito necessariamente e omnipotente.

Será este um bom argumento? O argumento é logicamente válido (ver aqui), mas será sólido?

Novidades: We are happy to announce that, to celebrate the 25th anniversary of the journal Disputatio, Prof. Timothy Williamson (Oxford) will give a lecture on “Degrees of Freedom: Is Good Philosophy Bad Science?” on October 7th, at 16h00 Lisbon time (UTC/GMT+1h). https://t.co/2U7oCeleBi |